Moradora de Araras/SP, Lidiane se cadastrou como doadora em 2019, durante sua primeira doação de sangue, sem imaginar a dimensão daquele gesto. Anos depois, uma ligação inesperada mudaria sua vida e seria decisiva para a recuperação de Eduardo. “Eu estava saindo do trabalho quando a secretária me chamou dizendo que o REDOME queria falar comigo”, conta.
A notícia de que poderia ser compatível com alguém chegou em um dos momentos mais difíceis de sua trajetória pessoal. Lidiane enfrentava o fim de um relacionamento de mais de dez anos e um período de profunda tristeza. “Depois daquela ligação, entendi o real sentido da vida. Saber que eu poderia ajudar alguém que eu nem conhecia me tirou da depressão”, afirma.
A doação seguiu seu curso e, com ela, a expectativa silenciosa de quem torcia pela recuperação de um desconhecido que, até então, não tinha rosto nem nome. Esse desconhecido era Eduardo. O primeiro encontro entre os dois aconteceu no aeroporto e foi carregado de significado. “Quando vi o Eduardo caminhando na minha frente, passou um filme na minha cabeça. Eu contava os dias para saber se meu receptor estava bem. Foi emocionante ver que ele estava ali, na minha frente, e muito bem de saúde. Eu não tinha palavras para descrever o quanto sou grata. Salvei a vida dele e, mesmo sem ele me conhecer antes, ele também salvou a minha”, relata Lidiane.
Para Eduardo, o sentimento era de gratidão absoluta. Ele decidiu preparar uma surpresa para o encontro no aeroporto: camisetas feitas especialmente para os dois. “Meu sentimento ao mandar fazer as camisas foi além de reconhecer o que a doadora fez por mim. Era também para mandar um recado às pessoas sobre a importância de doar medula óssea e sangue”, explica.
O impacto da atitude de Lidiane, segundo ele, foi decisivo não apenas para sua recuperação, mas para toda a sua família. “Ela foi como um anjo que veio ao meu encontro. Hoje estou muito bem de saúde, como se nada tivesse acontecido. Felicidade total e gratidão eterna à Lidiane”, afirma.
Surpreendida com a homenagem, Lidiane diz que as camisetas representam mais do que o encontro. “Elas representam nossas histórias e têm o propósito de incentivar outras pessoas a serem doadoras também”. O exemplo já reverberou em seu círculo próximo: sua atual namorada é doadora frequente de sangue e também está cadastrada no REDOME. Ela mantém a esperança de um dia também ser compatível com alguém.
A experiência também ressignificou o conceito de família para Lidiane. “Hoje, posso dizer que o Eduardo é a minha família. Tudo o que passei teve um propósito. Tive a honra de salvar uma vida e essa vida se chama Eduardo”, conclui.